Meu Deus, como é tênue a linha que separa a alegria da tristeza...
Como somos inconstantes, inseguros, incrédulos, temerosos...
Quantas experiências catastróficas já vivemos, quantas dores já sentimos, quantas feridas já se abriram e ainda sangram.
Mas como é difícil cicatrizar o rasgo que fica em nosso corpo quando nos arrancam um braço.
E me decepciono mais e mais, e me arrependo, e me culpo, e os sonhos evaporam como a água do café esquecida no fogão...
E sinto raiva, e minha mãos tremem, e meu coração dispara.
Meus pensamentos se confundem, minhas atitudes tornam-se inertes, imprecisas, inúteis.
E temo...
As cascas grossas e toscas nascem ao redor de minha árvore, como uma proteção incômoda e indesejável.
Como um casulo intransponível que insiste em se fechar, aprisionando meu coração e não permitindo mais que eu ame, que eu sinta...
Não permitindo mais que eu me entregue.
E nada mais do que eu faça ou diga será capaz de me libertar enquanto essa lagarta prisioneira não se metamorfosear em borboleta.
Para, assim, ganhar novas asas douradas e voar, mais uma vez, no céu azul de meus sonhos.
Para que eu me esqueça, de uma vez por todas, que um dia fui esmagado impiedosamente quando pousei, entregue, em suas mãos traiçoeiras.

